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16 de Dezembro, 2014

O Segredo de Advento de Margarete

Uma história que pode nos ajudar a viver o tempo do advento!

Margarete voltou bem feliz da missa, no sermão o sacerdote impulsionou-os a construir em seus corações um presépio para Jesus. Os pequenos e grandes sacrifícios e mortificações durante o advento seriam as pedras de construção. Isto tinha aquecido o coração de Margarete, que agora ardia pelos santos propósitos. Sim, ela queria construir um presépio! Não precisava procurar muito por mortificação, encontrava-as em cada passo pois sua mãe era um terrível insatisfeita, tanto como ninguém é capaz de ser. Seu pai tinha como objetivo ser mais do que econômico, e seus irmãos tinham mais ou menos parte dos defeitos dos pais. E ela mesma não era nenhuma santa, não, certamente que ela não era! Mas ela queria melhorar agora.

Com o entusiasmo de seus 19 anos ela assumiu o compromisso de construir um presépio espiritual. E para não esquecer seu propósito escreveu logo num bilhete:

“Para construir um presépio para o Menino Jesus em meu coração durante o advento vou silenciar diante das críticas e censuras de minha mãe e de meus irmãos, mesmo se forem muito duras!” 

Este bilhete ela colocou numa pequena agenda que levava sempre consigo. Todas as noites quando fazia sua oração queria se examinar se tinha cumprido seu propósito.

Um belo propósito, porém, é encontrado bem depressa e moldado na chama do entusiasmo. Porém sua concretização na dureza da vida diária pode se tornar muito pesado. Tomar o propósito ainda não é sacrifício. Mas quando no coração algo se rebela, bate e estremece porque a raiva quer com força achar um atalho, quando a sensibilidade se manifesta como uma tormenta que nos quer arrastar junto, então pode se tornar difícil, muito difícil ficar fiel à promessa. Isto Margarete logo iria sentir.

- “Margarete! Margarete!” - chamaram-na com voz forte pelo corredor enquanto ela ainda não tinha acabado de escrever seu bilhete.

Lançou um olhar rápido para a bela imagem de Maria que tinha sobre sua mesa, colocou seu livrinho com o bilhete no bolso e correu como o vento para a cozinha.

- “Parece que a senhorita quer se alojar no seu quarto” - veio-lhe logo ao encontro - “Tu não sabes que temos muito trabalho? Sou uma senhora de idade. Mas hoje em dia é assim, os velhos que trabalham e se acabam, as jovens damas querem se arrumar e ajeitar. Certamente ficaste tanto tempo na frente do espelho, não é?”

Margarete mordeu os lábios para não retrucar pois sentiu como uma onda de sangue aqueceu sua cabeça e procurava descarregar. Mas ela não disse nada. Este era o primeiro tijolo, a pedra fundamental! Mas não foi fácil colocá-la.

- “Por que tu não respondes? Queres ainda bancar a dama incomodada? Mas espera que com isto tu não me pegas, se isto é teimosia. Então conheces mal tua mãe. Meu Deus, que cruz a gente carrega por causa dos filhos! Como era tudo tão bonito quando vocês eram pequenos. Enquanto teu pai e eu morávamos sozinhos nunca se ouviu uma palavra alta nesta casa.”

O pai e os jovens sorriam por causa das reclamações da Sra. Babete. Mas estavam já acostumados a estas cenas e se sentaram indiferentes para o café da manhã. Eles ainda queriam ir para a missa solene. Sobre o café da manhã pairou uma terrível tempestade que parecia desabar a qualquer instante. Ninguém falou uma palavra sequer para não dar motivo para a mãe desabafar sua raiva. Mas toda a precaução era inútil quando ela estava de mau humor.

De repente ela explode:

- “Mas isto é de correr léguas. Quem cortou tão mal o pão? Tu, Margarete?”

Margarete apenas inclinou a cabeça e interiormente fez uma dúzia de bons propósitos para se sentir segura diante da tempestade que ia desabar.

- “Engraçado que minha filha não faz nada direito. Mil vezes já te mostrei mas tu não consegues. Ah, meu Deus, me dá paciência! Será que a gente tem que pecar sempre mais nesta casa?”

Os meninos olham para a irmã com curiosidade pois ela está corada. Eles esperam pela defesa como estavam acostumados. Mas não saiu nenhuma palavra malcriada, nem mesmo um pedido de desculpas. Pasmos olham de novo para a irmã. Era muito incomum de não responder a tais palavras. Até a mãe achou estranho que ninguém respondeu às suas acusações. Assim enfim ela também silenciou porque se ninguém lhe replicava, ela também não podia continuar a xingar.

No seu coração Margarete travava uma grande luta. Parecia que a tempestade tinha se retraído, mas no seu interior havia ainda agitação como se o turbilhão lhe quisesse levar embora todos os bons propósitos.

- “Jesus, que há pouco recebi no meu coração, dá-me completar meu sacrifício! Fica quieta, Margarete, fica quieta! Tu precisas conseguí-lo! Se não der agora logo após a Comunhão, então nunca dará certo!”

E conseguiu. Ela também experimentou a realidade das palavras que dizem que com Deus se pode tudo quando se quer.

Durante os dias e semanas seguintes a luta se ergueu muitas vezes dentro dela. Às vezes respondia irracionalmente mas depois lembrava do seu propósito e se recolhia de novo. Os momentos mais belos eram os da noite quando, no exame de consciência, ela contava as pedras de construção que de novo tinha conquistado para a construção do presépio. Ela nunca pensara que podia trazer tanta felicidade o fato da fidelidade de se superar a si mesma.

Antes ela se sentia satisfeita quando se podia defender e objetar mas depois sempre vinha o arrependimento e a tristeza. Ela não era superficial o suficiente para estar contente com tal vida.

Já se passara duas semanas do advento. Margarete se tornara silenciosa e alegre. A mãe estranhava sempre mais porque Margarete não mais brigava com ela como antigamente. Não entendia mais sua filha. Às vezes considerava o silêncio como teimosia, às vezes como amargura, às vezes como desprezo. Mas não chegou ao que realmente poderia ser. Que sua jovem podia se superar não lhe passou pela cabeça, mesmo que tivesse escutado o mesmo sermão.

Um achado revelou para ela o segredo de Margarete:

Numa noite, quando Margarete estava no quarto foi chamada repentinamente à casa vizinha porque sua amiga que esteve dois anos ausente tinha voltado para casa. Na sua pressa esqueceu seu livrinho aberto e saiu.

Quando mais tarde a mãe entrou no quarto viu o livrinho sobre a mesa. Quase lhe passara despercebido, mas quando ia passando percebeu o bilhete branco que aparecia entre as folhas. Curiosa e desconfiada por causa do bilhete que sua filha levava tão misteriosamente consigo, ela o tomou e leu o propósito de advento da filha. Leu-o uma, duas, três vezes sem compreender. Estava estarrecida de surpresa. O bilhete escapava lentamente de suas mãos, jogou-se sobre a cadeira e contemplou aos poucos e durante bastante tempo a imagem da Madona que a olhava tão terna e bondosamente. Estava desvendado o enigma. Caíram-lhe como que escamas dos olhos. Reconheceu como Margarete sacrificara para preservar a paz da casa e quanto sofrera com sua constantes críticas e insatisfações. No entanto ela sempre crera ser uma mulher e mãe irrepreensível. Pensativa colocou o bilhete de volta no livro. Era como se ele lhe queimasse as mãos. Lançou um olhar demorado à imagem de Nossa Senhora e disse:

- “Perdoa-me!”

Depois veio a admiração de Margarete quando na manhã seguinte ela quebrou uma xícara. Já inclinara a cabeça como sinal de culpa e para deixar a tempestade cair, mas, para a sua grande admiração, permaneceu tudo em silêncio. Olhou ao redor de si para ver se a mãe estava realmente aí, mas esta continuava calma trabalhando como se não tivesse acontecido nada. E quando esta tranqüilidade perdurou dia após dia, Margarete estava diante de uma incógnita. Ela quase tinha pena de não ter mais possibilidade de juntar pedras de construção para o presépio. Mas a mãe tinha se modificado e isto tinha que ser reconhecido. Todos percebiam, mesmo que ninguém soubesse como tinha acontecido. Se tivesse tido missões então se acreditaria que os missionários tinham operado o milagre. Até do rosto da mãe desaparecia lentamente os traços duros que a marcavam e desfiguravam.

Assim chegou o Natal. Quando voltaram da Missa da meia-noite havia no lugar de Margarete um livro que já há muito ela se tinha desejado. Com alegria ela o abriu. Aí caiu dele um bilhete em que estava escrito:

- “Minha querida Margarete! Em gratidão pelo maravilhoso presépio que construíste no advento também para a tua mãe.”

Margarete olhou ao redor de si e viu dois olhos luzente, e encontrou a solução do enigma no rosto da mãe.

- “Mãe, tu ficaste sabendo?” - perguntou com voz embargada e trêmula.

- “Sim filha, eu sei tudo. Por acaso li teu propósito de advento. Mas de agora em diante vamos continuar juntas, então será mais fácil, não é, filha?”

- “Mãe, óh mãe, com quanta alegria eu o farei! Agora sim posso festejar de verdade um Natal feliz!” - rejubilou Margarete e jogou-se tempestivamente aos braços da mãe.



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