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22 de Janeiro, 2018

Papa despede-se do Peru com mensagem de esperança

Francisco exortou povo peruano a conservar a esperança e permanecer unido

O Papa Francisco despediu-se do Peru na noite deste domingo, 21, com a celebração da Santa Missa que reuniu milhares de fiéis e peregrinos na Base Aérea Las Palmas. A homilia foi inspirada na Primeira Leitura e Evangelho do dia.

Tomando como exemplo a atitude do Profeta Jonas, o Santo Padre admitiu que diante das situações de sofrimento e injustiça do dia a dia, pode-se experimentar a tentação de fugir e se esconder. É o que se pode chamar a síndrome de Jonas: “um espaço para a indiferença, que nos torna anônimos e surdos face aos demais. Torna-nos seres impessoais de coração assético e, com esta atitude, amarfanhamos a alma do povo”.

Francisco recordou a citação de Bento XVI, quando diz que “a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. (...) Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir mediante a compaixão para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido mesmo interiormente, é uma sociedade cruel e desumana”.

O Papa apontou que, ao contrário de Jonas que foge diante da dor, Jesus entra na Galileia e começa a semear a maior esperança: “o Reino de Deus está perto”. “Jesus chamou seus discípulos a viverem, no hoje da história, algo que tem sabor à eternidade: o amor a Deus e ao próximo. (...) Jesus atravessa a cidade com seus discípulos e começa a ver, escutar e prestar atenção àqueles que sucumbiram sob o manto da indiferença, lapidados pelo grave pecado da corrupção. Começa a desvendar muitas situações que sufocavam a esperança do seu povo, suscitando uma nova esperança”.

Segundo ele, esta mensagem ecoou até chegar nos dias de hoje, “como um antídoto renovado contra a globalização da indiferença”. “Jesus continua a atravessar as nossas estradas, a bater às portas, a bater aos corações para reacender a esperança e os anseios. (...) Jesus continua a chamar e quer ungir-nos com o seu Espírito para que também nós saiamos para ungir com esta unção capaz de curar a esperança ferida e renovar o nosso olhar”.

“Hoje o Senhor chama-te a atravessar com Ele a cidade. Chama-te a ser seu discípulo missionário, tornando-te assim participante desse grande sussurro que quer continuar a ressoar nos mais variados ângulos da nossa vida: Alegra-te, o Senhor está contigo”, exortou o Papa.

Despedida

Após a Missa, Francisco fez seu último discurso em terras peruanas. Na despedida, renovou o agradecimento a todos que tornaram esta visita possível, uma viagem que deixou uma marca inapagável em seu coração.

Ele lembrou uma declaração feita no início de sua peregrinação ao país: o Peru é uma terra de esperança. “Terra de esperança pela biodiversidade que nele se encontra, juntamente com a beleza de lugares capazes de nos ajudar a descobrir a presença de Deus. Terra de esperança pela riqueza das suas tradições e costumes, que marcaram a alma deste povo. Terra de esperança pelos jovens, que não são o futuro, mas o presente do Peru”.

E fez um pedido especial aos peruanos: “Descobrir na esperança de seus avós, dos idosos, o DNA que guiou os seus grandes santos. Meninos e meninas, por favor, não se desenraizem. Avós e idosos, não deixem de transmitir às jovens gerações as raízes do seu povo e a sabedoria da vida para chegar ao céu. Convido todos a não ter medo de ser os santos do século XXI”.

Na conclusão de suas palavras, o Santo Padre pediu ainda aos peruanos que conservem a esperança e permaneçam unidos. “Vocês têm tantos motivos para esperar! Vi-o, toquei-o com a mão nestes dias. Conservem a esperança. Não há melhor maneira de guardar a esperança do que permanecer unidos, para que todos estes motivos, que a sustentam, se consolidem sempre mais de dia para dia. A esperança em Deus não engana”.

“Levo vocês no coração. Deus abençoe vocês! E peço-lhes, por favor, que não se esqueçam de rezar por mim”, finalizou Francisco.



Fonte: Amex, com Rádio Vaticano


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