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22 de Junho, 2018

Papa em Genebra: ajudemo-nos a caminhar, rezar e trabalhar juntos

Francisco participou de encontro ecumênico na sede do Conselho Mundial de Igrejas

O segundo compromisso do Papa Francisco em Genebra, nesta quinta-feira, 21, foi o encontro ecumênico na sede do Conselho Mundial de Igrejas, com a presença do Comitê Central do CMI, delegados ecumênicos, autoridades civis e o séquito papal.

Após os discursos do secretário-geral do CMI, Rev. Olav Fykse Tveit, e da moderadora Dra. Agnes Abuom, o Santo Padre tomou a palavra em um discurso centralizado na vocação missionária de todo cristão.

Inicialmente, Francisco agradeceu o convite para participar das celebrações dos 70 anos do CMI e falou da simbologia bíblica em torno deste número: “Setenta anos evoca a duração completa de uma vida, sinal de bênção divina. Mas setenta é também um número que traz à mente duas passagens famosas do Evangelho. Na primeira, o Senhor mandou perdoar não até sete vezes, mas «até setenta vezes sete»”, disse.

Ele acrescentou que o número não pretende indicar um limite quantitativo, mas abrir um horizonte qualitativo: “Não mede a justiça, mas alonga a medida para uma caridade desmesurada, capaz de perdoar sem limites. É esta caridade que nos permite, depois de séculos de contrastes, estar juntos como irmãos e irmãs reconciliados e agradecidos a Deus nosso Pai”.

O Papa observou ainda que “setenta” lembra também os discípulos que Jesus enviou em missão. O número destes discípulos alude ao número das nações conhecidas, elencadas nos primeiros capítulos da Sagrada Escritura. “Que sugestão nos deixa isto? Que a missão tem em vista todos os povos, e cada discípulo, para ser tal, deve tornar-se apóstolo, missionário”, apontou.

Francisco declarou-se preocupado com a dissociação entre ecumenismo e missão. “O mandato missionário, que é mais do que a diakonia e a promoção do desenvolvimento humano, não pode ser esquecido, nem anulado. Em causa está a nossa identidade. O anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra é conatural ao nosso ser de cristãos. Estou convencido que, se aumentar o impulso missionário, crescerá também a unidade entre nós”, ressaltou.

Em seguida, propôs caminhar, rezar e trabalhar juntos: “Caminhar num movimento duplo de entrada e de saída. De entrada, a fim de nos dirigir constantemente para o centro, que é Jesus. De saída, rumo às múltiplas periferias existenciais de hoje. Rezar, pois a oração é o oxigênio do ecumenismo. Sem oração, a comunhão asfixia e não avança, porque impedimos que o vento do Espírito a empurre para diante. Trabalhar juntos, pois a credibilidade do Evangelho é testada pela maneira como os cristãos respondem ao clamor de quantos são vítimas do trágico aumento de uma exclusão que, gerando pobreza, fomenta os conflitos”.

“Se um serviço é possível, por que não projetá-lo e realizá-lo conjuntamente, começando a experimentar uma fraternidade mais intensa no exercício da caridade concreta?”, questionou o Santo Padre.

Na ocasião, Francisco mencionou também os cristãos perseguidos: “Estejamos ao seu lado e lembremo-nos de que o nosso caminho ecumênico é precedido e acompanhado por um ecumenismo já realizado, o ecumenismo do sangue, que nos exorta a avançar”.



Fonte: Amex, com Rádio Vaticano


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