Facebook Youtube
16 de Fevereiro, 2018

Papa pede coerência no jejum

Na Missa de hoje, Francisco advertiu sobre a religiosidade de aparência, pedindo coerência no jejum

O Papa Francisco presidiu a Santa Missa na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, na manhã desta sexta-feira, 16. Durante a homilia, ele advertiu sobre a religiosidade de aparência, pedindo coerência no jejum.

O Santo Padre explicou que a Primeira Leitura proposta pela liturgia do dia, extraída do livro do Profeta Isaías, fala do jejum que Deus deseja: “Quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos. Enfim, romper todo tipo de sujeição”.

“O jejum é um dos deveres da Quaresma. Se não puder fazer um jejum total, que faz sentir fome até os ossos, faça um jejum humilde, mas verdadeiro” – disse o Papa.

Ele observou que Isaías evidencia as incoerências na prática da virtude, como cuidar dos próprios interesses e o dinheiro, enquanto o jejum é despojar-se e fazer penitência em paz. “Não jejuem mais como fazem hoje, de modo que se ouça o barulho (...) Vocês jejuam com coerência ou fazem a penitência incoerentemente, como diz o Senhor, com barulho, para que todos vejam e digam ‘mas que pessoa justa, que homem justo, que mulher justa’. Este é um disfarce, é maquiar a virtude”, advertiu.

Segundo Francisco, o jejum consiste também em humilhar-se, pensando nos próprios pecados e pedindo perdão a Deus. “‘Se este pecado que eu cometi fosse descoberto, fosse publicado nos jornais, que vergonha’. Pois bem, envergonha-te”.

Detendo-se de uma experiência pessoal, o Santo Padre comentou o modo como muitas pessoas se comportam com outras. “Nunca pude esquecer uma vez que fui à casa de um amigo quando criança. Vi a mãe dar um tapa na doméstica. 81 anos... não esqueci aquilo. ‘Não Pai, eu nunca dou um tapa’. Mas como os trata? Como pessoas ou como escravos? Pagas a eles o justo? Dás a eles as férias, é uma pessoa ou um animal que te ajuda em casa? Pensem somente nisto”.

“O jejum que o Senhor quer consiste em partilhar o pão com o faminto, no acolher em casa os miseráveis, sem-teto, em vestir os nus, sem negligenciar o teu sangue” – reiterou Francisco.

Concluindo sua reflexão, o Papa exortou os fiéis a fazer penitência durante a Quaresma. “O meu jejum chega a ajudar os outros? Se não chega, é fingido, é incoerente e te leva pelo caminho da vida dupla. Faço de conta ser cristão, justo como os fariseus, como os saduceus, mas por dentro não o sou. Peça humildemente a graça da coerência. Se eu não posso fazer algo, não a faço. Fazer somente aquilo que eu posso fazer, mas com coerência cristã”.



Fonte: Amex, com Rádio Vaticano


comments powered by Disqus