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14 de Julho, 2017

Rio recebe II Congresso Internacional Laudato Si e Grandes Cidades

O Papa Francisco enviou mensagem ao evento, destacando que respeito, responsabilidade e relação ajudam a atuar de forma conjunta diante dos imperativos mais essenciais de convivência social

Foi aberto oficialmente na manhã de quinta-feira, 13, no Rio de Janeiro, o II Congresso Internacional Laudato Si e Grandes Cidades, promovido pela arquidiocese e a Fundação Antoni Gaudi para as Grandes Cidades, de Barcelona, cujo objetivo é contribuir para a humanização dos grandes centros urbanos.

O arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta, o presidente da fundação e arcebispo emérito de Barcelona, cardeal Lluís Martínez Sistach, e o representante do Ministério do Meio Ambiente e diretor-presidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu Grillo, participaram da mesa de abertura.

Em entrevista coletiva, o cardeal Sistach destacou que “o problema de humanizar as grandes metrópoles, nos aspectos, água, ar e dos resíduos, é muito importante. Contudo, não podemos esquecer o resto do mundo e as pessoas do mundo rural também, que, às vezes, são as que sofrem as consequências dos resíduos que as cidades produzem, removem e descartam no âmbito rural. Ou seja, somos solidários por natureza, a globalização é uma realidade autêntica e, mais cedo ou mais tarde, o que se faz em um país, repercute nos outros. Portanto, norte ou sul, países ricos e países pobres, rurais e urbanos, nós nos influenciamos muito”.

Mensagem do Papa

Em mensagem enviada aos participantes do congresso, endereçada ao cardeal Sistach, o Papa Francisco voltou a citar três palavras contidas na Encíclica Laudato Si, que, segundo ele, ajudam a atuar de forma conjunta diante dos imperativos mais essenciais de convivência social. São elas: respeito, responsabilidade e relação.

“O respeito é a atitude fundamental que o homem tem de ter com a criação para que as gerações futuras possam seguir admirando-a e desfrutando-a”, escreveu o Papa. De modo especial, Francisco falou do direito fundamental à água e advertiu que, se não receber a atenção que merece, se transforma em fonte de enfermidades e sua escassez põe em perigo a vida de milhões de pessoas.

Já a responsabilidade diante da criação constitui uma de nossas tarefas primordiais. “Não podemos ficar com os braços cruzados quando advertimos uma grave diminuição da qualidade do ar ou o aumento da produção de resíduos que não são adequadamente tratados”, disse. Para o Santo Padre, essas realidades são consequência de uma forma irresponsável de manipular a criação e nos chamam a exercer uma responsabilidade ativa para o bem de todos.

O Papa lamenta a indiferença e a passividade diante de tantas tragédias e necessidades de nossos irmãos e irmãs. “Cada território e governo deveria incentivar modos de responsabilizar seus cidadãos para que, com criatividade, possam atuar e favorecer a criação de uma casa mais habitável e mais saudável”.

O terceiro “R”, a relação, ou melhor, a falta de relação, não é uma característica visível somente nas grandes cidades multiculturais, mas acomete também a zona rural. O fluxo constante de pessoas faz com que as sociedades contemporâneas sejam cada vez mais fechadas e desconfiadas. “A falta de raízes e o isolamento de algumas pessoas são formas de pobreza, que podem degenerar em guetos e originar violência e injustiça. Contudo, o homem está chamado a amar e ser amado, estabelecendo vínculos de pertença e laços de unidade entre todos os seus semelhantes”, recordou o Pontífice na mensagem.

Por isso, pontuou Francisco, é importante que a sociedade trabalhe conjuntamente em âmbito político, educativo e religioso para criar relações humanas mais quentes, que derrubem os muros que isolam e marginalizam. O Papa pediu o engajamento de grupos, escolas, paróquias, que sejam capazes de construir com sua presença uma rede de comunhão e de pertença, para favorecer uma melhor convivência e conseguir superar tantas dificuldades.

Programação

Refletindo sobre a água, as conferências da manhã de quinta-feira foram presididas pelo arcebispo emérito de São Paulo e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Cláudio Hummes, e focaram a Laudato Si e Grandes Cidades; a qualidade e tratamento da água; e como obter água de alta qualidade em cidades em desenvolvimento.

No período da tarde, houve a participação do cardeal Tempesta e do rabino Abraham Skorka, sob a condução do professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Miguel Serpa Pereira.

Nesta sexta-feira, 14, será a vez de padre Josafá Carlos de Siqueira apresentar a palestra “Reflexões éticas sobre os problemas relativos à água”. Sobre a questão, padre Josafá adiantou que “é preciso mexer no comportamento humano, reduzindo o consumo e evitando o desperdício, mas temos também que mexer nas grandes estruturas, que são os maiores consumidores de água, e devem rever”.

O Congresso encerra-se no sábado, 15.



Fonte: Amex, com informações Rádio Vaticano


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