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11 de Outubro, 2018

Sínodo à Igreja: ajudar os jovens a encontrar Cristo

Auditor na XV Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, Enzo Bianchi, destaca pontos abordados durante Sínodo dos Bispos em entrevista concedida à Rádio Vaticano

Em entrevista concedida pela Rádio Vaticano Itália, ontem (10), o fundador da Comunidade monástica de Bose, Enzo Bianchi, auditor na XV Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, enfatizou sobre os pontos abordados no encontro que segue em andamento até o dia 28 de outubro, no Vaticano, com o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

O auditor destacou o contexto de universalidade pelo qual se reflete a juventude durante o encontro. “Achei muito interessante ouvir as várias situações dos jovens que vivem na Igreja e daqueles que não fazem parte dela. Há realmente um aflato de universalidade no Sínodo”, disse Bianchi.

Da Igreja do sofrimento à indiferença em relação a Deus

Durante a entrevista, Bianchi explicou o atual cenário que a Igreja enfrenta. “Aqui se ouvem as situações da Igreja do sofrimento, que vive na hostilidade e na perseguição. E, ao mesmo tempo, a voz de Igrejas que pertencem ao Ocidente em que a visão sobre Deus mudou completamente”.

“Ouvimos vozes que vêm de jovens que têm sede de Deus, que buscam Deus, para os quais Deus é realmente uma opção decisiva. Já em outros casos temos sobretudo situações em que as pessoas se tornaram indiferentes em relação a Deus, e é muito difícil poder fazer um anúncio do Evangelho”, relatou Bianchi.

Enzo Bianchi disse ainda que nesses casos em que se encontram as dificuldades de um jovem não escutar o evangelho de Cristo, é necessário que se encontre novos caminhos, mediante sobretudo o anúncio de Jesus Cristo, porque do contrário, segundo ele, Deus em si permanece sendo uma palavra muito ambígua, sem interesse para os jovens, sempre mais acostumados a viver como se Deus não existisse.

Encarnar o Evangelho na vida para falar aos jovens

O monge fundador, ao relatar sua opinião sobre o tema proposto, afirmou que existe entre os acolhidos na Comunidade de Bose uma grande maioria sobretudo de jovens e, por este motivo, acredita ter sido convidado para o Sínodo. Bianchi esclareceu que a exigência expressa pelos jovens que vêm a Bose é a de ver como a fé pode incidir na vida deles: no cotidiano, em suas histórias de amor, na vida profissional, social.  E, acrescentou, que é isso que estes jovens procuram.

Ainda durante a entrevista concedida à Rádio Vaticano, o monge observou que certamente os jovens hoje não vão imediatamente à busca de Deus, como pensamos ou como pensa uma geração como a dele para a qual a busca de Deus era uma sede que habitava no coração.

“Hoje, se trata de decodificar o Evangelho também através de uma experiência humana, para depois levar os jovens, mediante a humanidade de Jesus, a compreender que Ele é o único que salva e justifica suas vidas e pode dar vida a suas existências,” alertou Bianchi, destacando que  o encontro pessoal com Cristo é o caminho da fé que se abre para Deus e também para a Igreja que é o Corpo do Senhor.

Espaços de silêncio, mas habitados pela Palavra

Enzo Bianchi recordou que os jovens do pré-Sínodo pediram mais ocasiões de oração, silêncio e contemplação. “É um pedido importante, mas o silêncio deve ser habitado pela Palavra de Deus”, disse.

“Hoje os jovens sentem muita atração pelas orações de tipo oriental em que abundam meditação e silêncio. E é uma reação à verborragia das nossas assembleias”, destacou Enzo.

Em seguida, o auditor destacou aos ouvintes sobre a real intenção do silêncio em Cristo. “Aquele silêncio deve ser sempre uma preparação para o encontro com a Palavra. Deve ser habitado pelo Evangelho, do contrário não produz nada, a não ser um bem-estar individualista”, pontuou.

O monge explicou que, infelizmente, a espiritualidade que corre o risco de reinar: um deísmo vaporoso, ético, com uma busca do bem-estar individual, não é a espiritualidade cristã. Ele esclareceu que em que Cristo, a Graça, a Misericórdia, são o que salvam o homem e não simplesmente os caminhos que ele percorre em busca da paz interior.

Que a Igreja não perca o desejo de gerar Fé

Ao concluir a entrevista, o fundador da Comunidade monástica de Bose informou que por enquanto é difícil dizer quais poderão ser os frutos pastorais concretos deste Sínodo, e disse, que eles ainda estão no início.  “Veremos como os padres sinodais saberão indicar o futuro. É claro, como disse o Papa, o fruto do Sínodo não pode ser somente um documento,” argumentou.

“É preciso que se abram novos modos de pastoral, de presença no meio dos jovens, de proximidade. Porque se isso faltar e se faltar também a vontade generativa da Igreja em relação à fé, então não haverá uma geração cristã futura”, disse, Enzo Bianchi, concluindo a entrevista.



Fonte: Amex, com Vatican News


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