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27 de Outubro, 2020

Por que redescobrir o Doc. de Pré-Fundação na pandemia?

Documento de Pré-Fundação, um imperativo para o nosso tempo

Nosso Pai e Fundador nos convida a cruzarmos o tempo de hoje e responder a Deus e à humanidade de maneira concreta aos desafios que a vida nos exige, por isso, “o ouvido no coração de Deus e a mão no pulso do tempo”. Este lema nos indica qual o nosso caminho, qual a atitude fundamental para viver o hoje, neste tempo de pandemia e de desafios sociais que enfrentamos. Enfim, o tempo que Deus nos permite viver. Nosso Pai e Fundador experimentou plenamente esta atitude em todos os momentos de sua vida e foi esta atitude que o fez um grande profeta para o nosso tempo.

Se ele estivesse vivo hoje, no ano de 2020, ano histórico em nossas vidas e na vida de toda a humanidade, com toda certeza repetiria novamente as palavras proferidas no ano de 1912, no Documento de Pré-Fundação de Schoenstatt, 108 anos atrás: “Sob a proteção de Maria queremos aprender a educar-nos a nós mesmos para sermos personalidades firmes, livres e sacerdotais (apostólicas)”…”A realização e o exercício desta meta vão ocupar-nos durante todo o ano”.

 

Uma mensagem sempre atual, como vemos nesta pandemia

E assim está sendo, esta meta já nos ocupa há quase um ano, um ano de pandemia no mundo, que nos mostrou que somente podemos vencer os desafios deste tempo, as dificuldades físicas, espirituais e psíquicas através de um profundo vínculo à Maria. Sob sua proteção estamos vivendo esta época de incerteza, de desvalimento, onde percebemos que nossos conhecimentos e forças não são nada, que somente a confiança no Deus da vida e da história é capaz de dar sentido a esta realidade e nos fazer superar com dignidade esses desafios.

O Documento de Pré-Fundação nos aponta uma a atitude fundamental da espiritualidade de Schoenstatt: a Fé Prática na Divina Providência. Configurar nossa vida sob o olhar de Deus, do Deus que cuida de nós, que olha para seus filhos com amor, que tem um plano individual para cada um. Respondemos a isso por meio do esforço de poder entender e realizar sua santa vontade, como santos modernos, assim expresso no programa de 1912.

Por isso, ele continua nos dizendo, “queremos educar-nos, a nós mesmos, para sermos personalidades firmes e livres”, porque somente desta forma poderemos compreender e reagir positivamente às consequências que a pandemia nos traz. Consequências que aos olhos puramente humanos nos indicam somente pontos negativos: isolamento social, desemprego, mortes, fake news, violência, corrupção. Somente uma personalidade totalmente enraizada em Deus, com uma vinculação interior livre, firme e com grandes ideais, será capaz de ver em tudo isso a mão amorosa de Deus que conduz a história.

 

 

Tudo isso porque ela caminha conosco

Também aprendemos a ser personalidades apostólicas neste tempo de pandemia. Cada um de nós, dentro de nossas próprias casas, aprendeu a se reinventar; conseguimos enxergar, além dos nossos próprios limites, a necessidade do outro. Quantas iniciativas sociais e apostólicas estamos vivenciando neste tempo, quanta criatividade, quanto amor ao próximo envolvido em cada ação que nos permite estar vinculado a Cristo e à sua Igreja? Tudo isso porque estamos sob o olhar e a proteção de Maria. É Ela que nos move, nos ensina a ter a mesma atitude que Ela teve em sua vida, a atitude de serviço, de entrega generosa por amor a Cristo e aos demais.

Nosso Pai e Fundador seguiria nos dizendo: “Não é preciso ser grande conhecedor do mundo e do homem para constatar que o nosso tempo, com todo o seu progresso, com todas as suas descobertas, não pôde libertar as pessoas do seu vazio interior. É que todas as atenções, todas as iniciativas têm exclusivamente como objeto o macrocosmo, o grande mundo, o mundo exterior a nós próprios […] Porém, há um mundo sempre antigo e sempre novo, um mundo – o microcosmo, o mundo em pequeno, o nosso próprio mundo interior – que continua desconhecido e inexplorado […] É por isso que a nossa época é de uma pobreza e de um vazio interior assustadores”.

Esta atitude interior, de alguma forma, aprendemos a viver neste ano. Muitas pessoas buscaram encontrar-se consigo mesmas dentro de suas próprias casas, no ambiente familiar, muitas vezes não favorável. Encontrar-se com seu eu interior e com sua fé quando todas as igrejas se fecharam e não pudemos mais ir à missa, não pudemos estar diante de Jesus fisicamente, estar em comunidade. Tudo isso nos exigiu – e ainda nos exige – uma grande força interior. Os meios externos, os bens materiais não são suficientes para superar o vazio interior que está no coração do homem.

A liberdade pela autoeducação

Nosso Pai e Fundador com toda certeza repetiria estas palavras hoje em 2020: “Estão os nossos povos cultos e civilizados suficientemente preparados e maduros para fazer uso correto dos enormes progressos da época moderna em todos os domínios exteriores? […]. O nosso domínio sobre os dons e as forças exteriores da natureza não andou a par e passo com o domínio das forças instintivas do nosso coração humano. Esta discrepância tremenda, esta brecha incomensurável torna-se cada vez maior e mais profunda – e, se não se conseguir, muito em breve, com toda a força, mudar a situação, encontrar-nos-emos perante o fantasma da questão social, da falência da sociedade. Em vez de dominarmos as nossas conquistas, tornamo-nos seus escravos; tornamo-nos escravos também das nossas próprias paixões”.

Percebemos como o ser humano está refém de seus próprios atos, de seus desejos de poder, de domínio, que vai além das suas capacidades e de seus direitos. O desejo de Lúcifer de ser como Deus levou a humanidade à ruína. Foi através desta atitude que o mal e o pecado entraram no mundo – e vemos como essa mesma atitude ainda permeia o coração humano. Autoeducação, controle de nossas próprias paixões e vontades, a canalização de nossas forças para o que é bom e magnânimo é o que nos propõe nosso Pai e Fundador para alcançar a vinculação harmoniosa entre a natureza e a graça.

 

 

Fazemos a diferença pela riqueza interior

Deus possui o controle dos acontecimentos do mundo. Por trás de todos os acontecimentos está à mão amorosa de Deus que deseja que seus filhos retornem ao seu coração. Ele se utiliza de muitos meios para isso, também este tempo de pandemia é uma oportunidade para toda humanidade retornar ao Pai.

Nossa grande tarefa neste tempo: amar a vontade de Deus, amar o seu querer neste tempo de pandemia, mesmo quando não entendemos, mesmo quando não conseguimos vê-lo, nossa fé e confiança devem sobrepassar os sentidos humanos. A Fé Prática na Divina Providência é a chave que deve abrir nossos corações neste tempo. Ela deve nos inspirar a confiança e coragem para enfrentar os desafios que este tempo nos impõe.

“É o que exige o nosso ideal e o ímpeto do nosso coração, é o que exige a nossa sociedade, é o que exigem sobretudo as pessoas, nomeadamente aquelas com as quais vamos encontrar mais tarde na nossa futura atividade. Como sacerdotes temos mais tarde que exercer uma influência profunda e duradora sobre o nosso ambiente. E, em última análise, não o fazemos pelo brilho dos nossos conhecimentos, mas sim pela força, pela riqueza interior da nossa personalidade”.

Sob a proteção de Maria queremos seguir vivendo este tempo, experimentando em nosso mundo interior a vinculação harmoniosa entre a natureza e a graça, para poder entender, à luz da fé, todos os acontecimentos do mundo. Deus Pai de amor tem um plano para cada um de nós seus filhos. Basta cultivar a consciência e a atitude de que somos filhos amados do Pai, que temos uma Mãe que olha por nós. O sentir-se plenamente amado é a principal atitude para chegarmos a ser verdadeiros filhos heroicos, livres, firmes e apostólicos hoje.

 

– Documento de Pré Fundação (tradução portuguesa)

Por: Sra. Ana Christina Melquiades


Fonte: Movimento Apostólico de Schoenstatt